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20 - Paróquia São Cristovão - Itu-SP
20 - Paróquia São Cristovão - Itu-SP

1º Aula 18/9/2018 -  Inicio do Estudo Bíblico na Paróquia São Cristovão na cidade de Itu, Diocese de Jundiaí-SP. Ontem, 18 de Setembro,  fizemos um passeio pela Bíblia lendo textos dentro do contexto para não ter o pretexto para manipular o texto. Deus ao criar o mundo, escreve dois livros, dizia Santo Agostinho: a Vida e a Bíblia. A vida nasce primeira. A Bíblia foi escrita para ajudar a interpretar e entender os problemas da vida. O primeiro livro é a vida – a realidade e a caminhada do povo. O livro escrito, a Bíblia, vem para iluminar e impulsionar a vida para frente. Por isso, temos que ser fiéis à Vida e à Bíblia. Harmonia entre fé, vida e justiça - ler o texto bíblico a fim de buscar uma luz para iluminar a nossa realidade. Quem for da região, venha se juntar ao grupo, todas as terças-feiras às 19:30hs no salão paroquial. Obrigado Pe. Robson pelo convite e por abrir as portas da sua paróquia para o estudo bíblico.

https://img.comunidades.net/lei/leituraorante/_ndiceA3.jpg

 

A história da Bíblia pode ser comparada à história de uma casa, que começou pequenina e pobre, com poucos cômodos, mas ao longo dos anos foi passando por reformas, recebendo acréscimo de novos cômodos, até tornar-se um casarão. O casarão pode assustar e intimidar, mas o que apresenta hoje é o resultado das reformas pelas quais passou:  https://leituraorante.comunidades.net/121-introducao-geral

 

 

Deixe, a seguir, o seu comentário sobre este estudo.

 

 2º dia de aula: 25/9/2018: O sonho de um povo que tenha terra, liberdade, cidadania e uma vida abençoada esta no coração da humanidade. Ao longo da história, muitos grupos têm tentado concretizar este sonho. O povo de Israel foi um deles. Mas como esse povo se formou? De onde vieram? Quais os seus sonhos, suas buscas? Onde se localizou? Quem fazia parte desse povo? Quais foram as dificuldades encontradas e como as enfrentaram? E de que maneira esse povo experimentou a presença de Deus? Aqui no Brasil, índios e negros, também tiveram esse mesmo sonho e encontraram um jeito de realizá-lo. Os índios ajudados pelos missionários jesuítas, encontraram, por algum tempo sua forma de resistência nos aldeamentos; os negros no período colonial, se organizaram em quilombos, atraindo o ódio dos senhores de escravos e dos que controlavam o império, assim, do mesmo modo, também os hebreus realizaram, entre os anos 1.200 e 1.000 a.C, uma nova experiência nas montanhas de Canaã.

 

1ª Parte

 

 

2ª Parte

 

Clique no link abaixo e leia a aula: Formação do Povo de Deus

 https://leituraorante.comunidades.net/132-formacao-do-povo-de-deus-1250-e-1200-ac

 

 

 

Análise da Primeira Leitura que iremos ler nas missas domingo dia 08-  Gn 2,18-24

 

AMBIENTE. O texto de Gn 2,4b-3,24 – conhecido como relato jahwista da criação – é, de acordo com a maioria dos comentadores, um texto do séc. X a.C., que deve ter aparecido em Judá na época do rei Salomão. Apresenta-se num estilo exuberante, colorido, pitoresco. Parece ser obra de um catequista popular, que ensina recorrendo a imagens sugestivas, coloridas e fortes. Não podemos, de forma nenhuma, ver neste texto uma reportagem jornalística de acontecimentos passados na aurora da humanidade. A finalidade do autor não é científica ou histórica, mas teológica: mais do que ensinar como o mundo e o homem apareceram, ele quer dizer-nos que na origem da vida e do homem está Jahwéh. Trata-se, portanto, de uma página de catequese e não de um tratado destinado a explicar cientificamente as origens do mundo e da vida.


Para apresentar essa catequese aos homens do séc. X a.C., os teólogos jahwistas utilizaram elementos simbólicos e literários das cosmogonias mesopotâmicas (por exemplo, a formação do homem “do pó da terra” é um elemento que aparece sempre nos mitos de origem mesopotâmicos); no entanto, transformaram e adaptaram os símbolos retirados das narrações lendárias de outros povos, dando-lhes um novo enquadramento, uma nova interpretação e pondo-os ao serviço da catequese e da fé de Israel. Ou seja: a linguagem e a apresentação literária das narrações bíblicas da criação apresentam paralelos significativos com os mitos de origem dos povos da zona do Crescente Fértil; mas as conclusões teológicas – sobretudo o ensinamento sobre Deus e sobre o lugar que o homem ocupa no projecto de Deus – são muito diferentes.
O texto que nos é hoje proposto como primeira leitura situa-nos no “jardim do Éden”, um espaço ideal onde Deus colocou o homem que criou, um ambiente de felicidade material onde todas as exigências da vida humana estavam satisfeitas. É um lugar de água abundante e com muitas árvores (para quem sentia pesar sobre si a ameaça do deserto árido, o ideia de felicidade seria um lugar com muita água, um clima de frescura, um ambiente de árvores e de verdura abundante). O homem tinha, então, tudo para ser feliz? Ainda não. Na perspectiva do catequista jahwista, o homem não estava plenamente realizado, pois faltava-lhe alguém com quem compartilhar a vida e a felicidade. O homem não foi criado para viver sozinho, mas para viver em relação. É esse problema que Deus, com solicitude e amor, vai resolver…

MENSAGEM

Depois de criar o homem e de o colocar no “jardim” da felicidade, Deus constatou a solidão do homem e quis dar-lhe solução. Como?
Num primeiro momento, Deus fez desfilar diante do homem “todos os animais do campo e todas as aves do céu”, a fim de que o homem os chamasse “pelos seus nomes” (vers. 19). Segundo as ideias vigentes no Médio Oriente antigo, o fato de “dar um nome” era, antes de mais, um ato de domínio e de posse. Por outro lado, o fato de Deus ter trazido os animais para que o homem lhes desse um nome era, na perspectiva do catequista jahwista, o reconhecimento por parte de Deus da autonomia do homem e a associação do homem à obra criadora e ordenadora de Deus. A autoridade sobre os outros seres criados e a associação do homem à obra criadora de Deus responderá ao desejo de felicidade completa que o homem sente e resolverá o problema da sua solidão? Não. O homem não encontrou, nesse mundo animal que Deus lhe confiou, “uma auxiliar semelhante a ele” (vers. 20). Por muito rico e desafiador que fosse esse mundo novo que lhe foi apresentado, o homem não encontrou aí a ajuda e o complemento que esperava. Para que o homem se realize completamente, Deus vai intervir de novo.


A nova ação de Deus começa com um “sono profundo” do homem. Depois, Deus, atuando como um hábil cirurgião, tirou parte do corpo do homem (o texto fala da “zela’“, que se tem traduzido como “costela”; contudo, a palavra pode significar “lado” ou “costado”) e com ela fez a mulher (vers. 21-22). Porquê o “sono profundo” do homem”? Porque, de acordo com a concepção do autor jahwista, criar era segredo de Deus e o homem não podia testemunhar esse momento solene e misterioso; restava-lhe admirar a criação de Deus e adorá-l’O pelas suas obras admiráveis… Depois de ter “construído” a mulher, Jahwéh acompanha-a à presença do homem. A mulher é aqui apresentada como uma noiva conduzida à presença do noivo e Deus como o “padrinho” desse noivado. O homem, desperto do “sono profundo”, acolhe a mulher com um grito de alegria e reconhece-a como a companhia que lhe fazia falta, o seu complemento, o seu outro eu: “Esta é realmente osso dos meus ossos e carne da minha carne” (vers. 23a). O homem (vers. 23b) dá à sua companheira o nome de “mulher” (em hebraico: ‘ishah) porque foi tirada do homem (em hebraico: ‘ish). A proximidade das duas palavras sugere a proximidade entre o homem e a mulher, a sua igualdade fundamental em dignidade, a sua complementaridade, o seu parentesco.


O nosso texto termina com um comentário que não é de Deus, nem do homem, nem da mulher, mas do catequista jahwista: “por isso, o homem deixará pai e mãe para se unir à sua esposa, e os dois serão uma só carne” (vers. 24). Este comentário pretende ser a resposta a uma questão bem concreta: de onde vem essa força poderosa que é o amor e que é mais forte do que o vínculo que nos liga aos próprios pais? Para o catequista jahwista, o amor vem de Deus, que fez o homem e a mulher de uma só carne; por isso, homem e mulher buscam essa unidade e estão destinados, fatalmente, a viver em comunhão um com o outro.

ATUALIZAÇÃO

• “Não é bom que o homem esteja só”. Estas palavras, postas pelo autor jahwista na boca de Deus, sugerem que a realização plena do homem acontece na relação e não na solidão. O homem que vive fechado em si próprio, que escolhe percorrer caminhos de egoísmo e de autosuficiência, que recusa o diálogo e a comunhão com aqueles que caminham a seu lado, que tem o coração fechado ao amor e à partilha, é um homem profundamente infeliz, que nunca conhecerá a felicidade plena. Por vezes a preocupação com o dinheiro, com a realização profissional, com o estatuto social, com o êxito levam os homens a prescindir do amor, a renunciar à família, a não ter tempo para os amigos… E um dia, depois de terem acumulado muito dinheiro ou de terem chegado à presidência da empresa, constatam que estão sozinhos e que a sua vida é estéril e vazia. A Palavra de Deus que nos é hoje proposta deixa um aviso claro: a vocação do homem é o amor; a solidão, mesmo quando compensada pela abundância de bens materiais, é um caminho de infelicidade.

• Por vezes, certos círculos religiosos mais fechados desvalorizam o amor humano, consideram o casamento como um estado inferior de realização da vocação cristã e vêem na sexualidade algo de pecaminoso. Não é esta a perspectiva que a Palavra de Deus nos apresenta… No nosso texto, o amor aparece como algo que está, desde sempre, inscrito no projeto de Deus e que é querido por Deus. Deus criou o homem e a mulher para se ajudarem mutuamente e para partilharem, no amor, as suas vidas. É no amor e não na solidão que o homem encontra a sua realização plena e o sentido para a sua existência.

• Homem e mulher são, de acordo com o nosso texto, iguais em dignidade. Eles são “da mesma carne”, em igualdade de ser, partícipes do mesmo destino; completam-se um ao outro e ajudam-se mutuamente a atingir a realização. São, portanto, iguais em dignidade. Esta realidade exige que homem e mulher se respeitem absolutamente um ao outro; e exclui, naturalmente, qualquer atitude que signifique dominação, escravidão, prepotência, uso egoísta do outro.

 

Construindo uma nova sociedade: 09/10:  https://leituraorante.comunidades.net/133-periodo-tribal-juizes-1200-a-1000-ac

 

 

 Para continuar o estudo   acesse: http://www.leituraorante.com.br/antigo-testamento