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21 de Julho - Lucas 10,38-42
21 de Julho - Lucas 10,38-42

Instruções para a Leitura, Meditação, Oração e Contemplação do Evangelho do 16º Domingo do Tempo Comum – Ano C – 21 de Julho 2019 - Lucas 10,38-42


1. Leitura - Procure fazer silêncio interior e exterior e leia calmamente a passagem  de Lc 10,38-42, o evangelho do 16º domingo do tempo comum (mais de uma vez se for preciso). As perguntas são para colaborar para que o exercício seja diálogo com Jesus. Use-as, se achar que podem realmente lhe ajudar.  Quem são os personagens da narrativa? Onde acontece a ação? Como é a acolhida que Marta e Maria oferecem a Jesus? Por que Jesus chama a atenção de Marta? O que diz o texto?


2. Meditação - Pergunte ao Senhor, o que Ele quer lhe dizer através deste texto.  Qual é o convite que ele esta  te fazendo por meio do texto?  O que o texto diz a você hoje? Com qual das personagens você mais se identifica? Como você esta acolhendo os ensinamentos de Jesus em  sua vida? Os ensinamentos dele encontram sintonia com a realidade que você vive? A Palavra de Deus, rezada e meditada, renova em você a fé, a esperança, a confiança no Senhor? Quais são as prioridades da sua vida? Será que escolheu a melhor parte?

Hoje vivemos em grande velocidade. Tudo deve ser rápido. “Tempo é dinheiro”, mas como é possível, neste ritmo, guardar tempo para as coisas essenciais? Como é possível encontrar espaço para sentar aos pés de Jesus? O que é que você entende por hospitalidade e acolhimento? Esta leitura sugere que o verdadeiro acolhimento não se limita a abrir a porta, mas em “perder” tempo para estar com o outro, para o escutar. Jesus, contra os costumes da sua época, aceita Maria como discípula. Será que você teria a mesma coragem de Jesus?

Como você organiza suas atividades e seus momentos de encontro com Deus?  Tem muitas preocupações e agito-se com muitas coisas como Marta?  Ou, você é capaz de escolher a “melhor parte”, à escuta da Palavra?  Você consegue ser uma pessoa ativa e reflexiva, ao mesmo tempo?


3.Oração - Releia lentamente o Evangelho. Tente perceber qual é o trecho que chama mais sua atenção, que lhe toca mais e detenha-se nele para descobrir o chamado que Deus lhe faz. Depois disso, dialogue com Deus, apresente a sua vida, a sua correria, a sua luta cotidiana. Deus entende as pressões cotidianas e o cansaço que pode submergir. Apresente-lhe tudo o que está te preocupando. Reze com o Salmo 15. Encontre algumas palavras que ressoam em você.


4.Contemplação - Contemple o privilegio de ficar sentado/a  aos pés de Jesus, escutando e aprendendo tudo aquilo que ele tem para revelar. Deixe-se maravilhar pelas novidades que Jesus lhe vai mostrar. Com a Palavra de Deus na mente e no coração, qual atitude, qual o seu novo olhar a partir da Palavra e que você se propõe viver ?


Bênção Bíblica
O Senhor o abençoe e guarde!  O Senhor lhe mostre seu rosto brilhante
e tenha piedade de você!  O Senhor lhe mostre seu rosto e lhe conceda a paz!’ (Nm 6,24-27).

 

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MENSAGEM

Estamos no contexto de um banquete. Não se diz se havia muitos ou poucos convidados; o que se diz é que uma das irmãs (Marta) andava atarefada “com muito serviço” (vers. 40), enquanto a outra (Maria) “sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua Palavra” (vers. 39). Marta, naturalmente, não se conformou com a situação e queixou-se a Jesus pela indiferença da irmã. A resposta de Jesus (vers. 41-42) constitui o centro do relato e dá-nos o sentido da catequese que, com este episódio, Lucas nos quer apresentar: a Palavra de Jesus deve estar acima de qualquer outro interesse.


Há, neste texto, um pormenor que é preciso pôr em relevo. Diz respeito à “posição” de Maria: “sentada aos pés de Jesus”. É a posição típica de um discípulo diante do seu mestre (cf. Lc 8,35; Act 22,3). É uma situação surpreendente, num contexto sociológico em que as mulheres tinham um estatuto de subalternidade e viam limitados alguns dos seus direitos religiosos e sociais; por isso, nenhum “rabbi” da época se dignava aceitar uma mulher no grupo dos discípulos que se sentavam aos seus pés para escutar as suas lições. Lucas (que, na sua obra, procura dizer que Jesus veio libertar e salvar os que eram oprimidos e escravizados, nomeadamente as mulheres) mostra, neste episódio, que Jesus não faz qualquer discriminação: o facto decisivo para ser seu discípulo é estar disposto a escutar a sua Palavra.


Muitas vezes, este episódio foi lido à luz da oposição entre ação e contemplação; no entanto, não é bem isso que aqui está em causa… Lucas não está, nesta catequese, a explicar que a vida contemplativa é superior à vida ativa; está é a dizer que a escuta da Palavra de Jesus é o mais importante para a vida do crente, pois é o ponto de partida da caminhada da fé. Isto não significa que o “fazer coisas”, que o “servir os irmãos” não seja importante; mas significa que tudo deve partir da escuta da Palavra, pois é a escuta da Palavra que nos projeta para os outros e nos faz perceber o que Deus espera de nós.

ATUALIZAÇÃO

• O nosso tempo vive-se a uma velocidade estonteante… Para ganhar uns minutos, arriscamos a vida porque “tempo é dinheiro” e perder um segundo é ficar para trás ou deixar acumular trabalho que depois não conseguimos “digerir”. Mudamos de fila no trânsito da manhã vezes incontáveis para ganhar uns metros, passamos semáforos vermelhos, comemos de pé ao lado de pessoas para quem nem olhamos, chegamos a casa derreados, enervados, vencidos pelo cansaço e pelo stress, sem tempo e sem vontade de brincar com os filhos ou de lhes ler uma história e dormimos algumas horas com a consciência de que amanhã tudo vai ser igual… Claro que estas são as exigências da vida moderna; mas, como é possível, neste ritmo, guardar tempo para as coisas essenciais? Como é possível encontrar espaço para nos sentarmos aos pés de Jesus e escutarmos o que Ele tem para nos propor?

 

• Nas nossas comunidades cristãs e religiosas, encontramos pessoas que fazem muitas coisas, que se dão completamente à missão e ao serviço dos irmãos, que não param um instante… É ótimo que exista esta capacidade de doação, de entrega, de serviço; mas não nos podemos esquecer que o ativismo desenfreado nos aliena, nos massacra e asfixia. É preciso encontrar tempo para escutar Jesus, para acolher e “ruminar” a Palavra, para nos encontrarmos com Deus e conosco próprios, para perceber os desafios que Deus nos lança. Sem isso, facilmente perdemos o sentido das coisas e o sentido da missão que nos é proposta; sem isso, facilmente passamos a agir por nossa conta, passando ao lado do que Deus quer de nós.

 

• Esta época do ano – tempo de férias, de evasão, de descanso – é um tempo privilegiado para invertermos a marcha alienante que nos massacra. Que este tempo não seja mais uma corrida desenfreada para lugar nenhum, mas um tempo de reencontro conosco, com a nossa família, com os nossos amigos, com Deus e com as nossas prioridades. A oração e a escuta da Palavra podem ajudar-nos a recentrar a nossa vida e a redescobrir o sentido da nossa existência.

 

• Qual é a nossa perspectiva da hospitalidade e do acolhimento? Esta leitura sugere que o verdadeiro acolhimento não se limita a abrir a porta, a sentar a pessoa no sofá, a ligar a televisão para que ela se entretenha sozinha, e a correr para a cozinha para lhe preparar um banquete opíparo; mas o verdadeiro acolhimento passa por dar atenção àquele que veio ao nosso encontro, escutá-lo, partilhar com ele, a fazê-lo sentir o quanto nos preocupamos com aquilo que ele sente…

 

• A atitude de Jesus – que, contra os costumes da época, aceita Maria como discípula – faz-nos, mais uma vez, pensar nas discriminações que, na Igreja e fora dela, existem, nomeadamente em relação às mulheres. Fará algum sentido qualquer tipo de discriminação, à luz das atitudes que Jesus sempre tomou?