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LEITURA ORANTE DO SALMO 23: O SENHOR É O MEU PASTO
LEITURA ORANTE DO SALMO 23: O SENHOR É O MEU PASTO

1º PASSO: Preparo-me para a Leitura Orante, abrindo-me à ação do Espírito Santo com uma breve oração.

Agora abra a sua Bíblia e comece a ler o texto indicado. Leia, devagar, o Salmo todo. Leia mais uma vez. O Salmo é uma verdadeira poesia! Saboreie a linguagem poética: verdes pastagens, fontes tranquilas, vale tenebroso, bastão e cajado, mesa preparada, unção com óleo, taça com vinho... Que lhe dizem estes símbolos? Escolha um versículo (ou parte dele) e repita-o interiormente até que sinta vontade de ficar em completo silêncio diante de Deus. Fique assim por algum tempo. Não tenha pressa. Se a fantasia invadir sua mente, escolha outro versículo e siga o mesmo processo. Se você se sentir agitado, angustiado ou intranquilo, repita algumas vezes: “Junto a mim estás; teu bastão e teu cajado me deixam tranquilo.”

 

Por que surgiu? Este Salmo é de confiança individual. O autor do texto ao escrevê-lo, não estava pensando em mim, em você ou nos problemas do nosso século. Ao escrever o texto, ele estava dando uma resposta a um problema concreto que a comunidade dele estava enfrentando. À primeira vista esse salmo não apresenta nenhum conflito, mas só aparentemente. De fato, nele se fala de "vale tenebroso" (4a) "opressores" (5a). O que estaria acontecendo? Qual a imagem de Deus que aparece no texto? O que estava acontecendo na comunidade do autor que o levou a escrever esse texto? Leia novamente o Salmo pensando nessas perguntas.

A resposta para a pergunta acima, deve iniciar pelo final. O salmista afirma que sua casa é a morada de Javé é, por dias sem fim (6b). A morada de Javé é o Templo de Jerusalém. Essa pessoa está, portanto, aí. O que teriam contra ela os opressores? Certamente queriam matá-la. O salmo, portanto, revela um drama mortal. Uma pessoa, injustamente condenada, foge e se esconde no Templo, que funcionava como lugar de refúgio para quem tivesse cometido um crime sem querer.

Sabemos que em Israel havia a lei do talião. Ferida por ferida, morte por morte. Quem ferisse ou matasse alguém sem querer devia fugir o mais rápido possível. Na época das tribos havia as cidades de refúgio (Nm 35; Js 20). No tempo da monarquia também o Templo de Jerusalém ser­via de abrigo nesses casos. O Salmo 23, portanto, nasceu dessa situação. E o refugiado toma a decisão de morar para sempre no Templo (6b).

O salmo tem duas imagens importantes. A primeira Javé como pastor, e o salmista se compara a uma ovelha (1b-4). As palavras destes versículos pertencem ao contexto do pastoreio. Para entender essa imagem, é preciso recordar brevemente a vida dos pastores na terra de Jesus. Normalmente eles tinham um punhado de ovelhas e cuidavam delas com carinho, pois eram tudo o que possuíam. À noite, costumavam deixá-las num curral, junto com outros pastores, sob a proteção de alguns guardas. De manhã, cada pastor chamava as suas pelo nome, elas reconheciam a voz do seu pastor e saíam para uma nova jornada. Ele caminhava à frente, conduzindo-as a pastagens e fontes de água (João 10,1-4).

Na terra de Jesus há desertos, e os pastores deviam atravessá-los para encontrar pastagens. Às vezes logo achavam pastos; outras, tinham de caminhar bastante para encontrar água e verdes pastagens. Nessas ocasiões, acontecia que pastor e ovelhas eram surpreendidos pela escuridão da noite. Sabe-se que elas, de noite, ficam totalmente desorientadas e perdidas. O pastor, então, caminhava à frente, voltando para o curral. A escuridão da noite (o "vale tenebroso" do versículo 4) não assustava as ovelhas, pois caminhavam protegidas pelo bastão e cajado do pastor.

A segunda imagem (5-6a) também é muito interessante. Já não trata de ovelhas. O ambiente é o deserto da Judéia. Devemos imaginar uma pessoa fugindo dos inimigos através do deserto. Os opressores estão para alcançá-la quando, de repente, ela se encontra diante da tenda de um chefe dos habitantes do deserto. Essa pessoa é acolhida com alegria e festa, tornando-se hóspede desse chefe. Na terra de Jesus a hospitalidade é coisa sagrada. Quem se refugia na casa ou na tenda de outra pessoa está protegido dos perigos. Quando os opressores chegam à entrada da tenda, veem a mesa preparada (os habitantes do deserto simplesmente estendiam uma toalha a no chão), o hóspede já tomou banho de óleo perfumado, e percebem que o chefe e seu hóspede estão erguendo brindes a uma velha amizade (a taça que transborda). Nada podendo fazer, os inimigos se retiram-se envergonhados. O hóspede, algum tempo depois, terá de continuar viagem. O chefe, então, lhe oferece dois guarda-costas, simbolicamente chamados de felicidade e amor, que o acompanharão todos os dias de sua vida.

Entendemos, assim, as duas imagens. O inocente que foge dos que pretendem matá-lo sente-se protegido por Javé como a ovelha que, à noite, caminha sob a proteção do bastão e do cajado do pastor. Com esse tipo de pastor, nada falta a quem confia nele. O inocente sentia-se caçado pelos opressores, mas conseguiu refugiar-se na tenda de Javé, ou seja, no Templo de Jerusalém. E aí ninguém poderá fazer-lhe coisa alguma.

Uma das imagens mais bonitas de Deus no Antigo Testamento - e neste salmo - é a que o mostra como pastor. Esse tema recorda imediatamente o êxodo. De fato, a grande ação de Deus pastor foi ter tirado seu rebanho (os hebreus) do curral do Egito e tê-lo conduzido pelo deserto, introduzindo-o na terra prometida, onde correm leite e mel. Vários textos bíblicos falam disso (por exemplo, Salmo 78,52). Pastor, libertador e aliado, portanto, são temas gêmeos. O salmista tem absoluta confiança no nome de Javé (3) porque sabe que, no passado do povo de Deus, Javé libertou, conduziu e introduziu seu povo na terra da liberdade e da vida. Nessa terra ele acolheu seu povo, preparando-lhe mesa farta, fazendo-o seu hóspede predileto e protegendo-o todos os dias da vida.

Jesus, no evangelho de João, assume as características de Javé pastor, libertador e aliado (João 10), conduzindo as ovelhas para fora dos currais que impedem ao povo o acesso à vida (João 9). Com sua morte e ressurreição, Jesus pastor abriu o caminho de volta ao Pai: "Ninguém vai ao Pai senão por mim" (João 14,6b).

 

2º PASSO. Esse passo, a meditação, quer atualizar o que se leu, buscando o seu sentido para a nossa vida de hoje, aqui no Brasil, no lugar onde moramos, e, portanto, vai responder à pergunta: O que diz o texto para mim, para nós? O que esse texto tem de semelhante e de diferente com a nossa vida, com a nossa comunidade? À primeira vista esse salmo não apresenta nenhum conflito, mas só aparentemente. De fato, nele se fala de "vale tenebroso" (4a) "opressores" (5a). Será que também você está passando por algum conflito em sua vida neste momento? Qual a imagem de Deus que vejo no texto?

 

3º PASSO. Provavelmente seja este o salmo o mais conhecido, cantado e rezado. Mas o melhor tempo de rezá-lo é quando necessitamos reforçar nossa confiança em Deus, e isso em meio aos conflitos cotidianos. É bom rezá-lo também em solidariedade com os "marcados para morrer", os inocentes condenados e as vítimas da violência e opressão. Se você se encontra abatida, perseguida, desanimada sem rumo, entre agora em sintonia e diálogo com Deus dando uma resposta solicitada pela Palavra lida e meditada. Agora é o momento de nos colocar em comunhão íntima com Ele e expressar nossos sentimentos, angústias, apreensões, alegrias e sonhos que por ventura surgiram durante a leitura e a meditação. Você não deve se preocupar em falar muito e em preparar palavras bonitas, que fórmula usar. Fale com espontaneidade, simplicidade e naturalidade e conte a Deus Pai tudo o que o seu coração sentiu e experimentou a partir das descobertas feitas até agora.

 

4º PASSO. Provavelmente este salmo seja o mais conhecido, cantado e rezado. Mas, será que é também o mais vivenciado? Qual atitude vou assumir a partir de agora? Será que também eu posso ser “pastor(a)” para os outros? Quem, em meu ambiente, precisa de um refúgio? Que poderei fazer?

Outros salmos de confiança individual: 3; 4; 11; 16; 27; 62; 121; 131.