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3ª Aula:Preservar-se do mundo/Maligno 1Jo 2,12-17
3ª Aula:Preservar-se do mundo/Maligno 1Jo 2,12-17

 

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‘Não amem o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele’ (1Jo 2,15).

 

1- Acolhida: Jesus Cristo, Palavra de Deus feito carne humana, é o caminho que nos leva ao Pai. Como pessoas cristãs, somos chamadas a vivenciar o amor de Deus e dar continuidade à missão do Mestre, rejeitando todas as realidades de injustiça que desfiguram a vida humana. Que Deus Pai nos dê forças para assumirmos a nossa vocação.

 

Na aula anterior, tomamos consciência de que Jesus é a Palavra de Deus encarnada, que assume o projeto da justiça até a entrega da própria vida. Tanto no século I como hoje, as realidades de injustiça continuam degradando a dignidade humana e eliminando pessoas. Esses desafios nos impulsionam para o compromisso de construirmos uma sociedade justa e solidária, conforme o projeto de Deus.

 

Na aula de hoje, vamos olhar para a realidade de morte vivida nas grandes cidades do tempo das primeiras comunidades cristãs, principalmente Éfeso e, ao mesmo tempo, ver a realidade que estamos vivendo.  

 

2- Motivando a aula de hoje: Esta é a  história de Marcela Loaiza:  “Quando eu tinha 21 anos, um homem se aproximou de mim e me entregou um cartão, dizendo que eu tinha um grande potencial para me dar bem como bailarina no exterior. A princípio não liguei, mas quando minha filha ficou doente e precisou ser hospitalizada, eu tive que parar de trabalhar para cuidar dela.

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Resolvi ligar para Pipo, como se apresentara o ‘agente’. Ele se mostrou muito compreensivo e me ofereceu dinheiro para os gastos hospitalares da minha filha. Quando minha filha se recuperou, decidi ir, mas a pedido de Pipo, não contei a ninguém, só disse à minha mãe que iria a Bogotá buscar trabalho para pagar dívidas. Pouco antes de subir no avião, ao me entregar a passagem, Pipo me disse que eu iria ao Japão. Recebi também dinheiro vivo e um passaporte falso. Viajei como Margaretta Troff.  Chegando lá, tive que adotar um terceiro nome: Kelly, conforme me informou uma mulher colombiana, que me recebeu no aeroporto de Tóquio. No dia seguinte, a mulher me explicou que meu trabalho era como prostituta, para pagar a imensa dívida com ela por causa do passaporte, passagem de avião, hospedagem, alimentação, transporte e o dinheiro que Pipo me havia adiantado.

 

Ao tentar explicar que havia alguma confusão e que chamaria a polícia, a mulher respondeu: ‘Pode chamar, mas não garantimos que você vai chegar a tempo para o enterro da sua filha’. E assim, em meados de 1999, nas mãos da máfia Yakuza, começou o meu pesadelo no Japão. Foram 18 meses de exploração sexual diária e também de violência física - na forma de pancadas que chegaram a me deixar inconsciente. Eu cheguei a pensar em suicídio, mas a lembrança da minha filha me impediu. Com a ajuda de um cliente, consegui chegar ao Consulado, que me ajudou a voltar para a Colômbia”.

 

Marcela Loaiza se tornou ativista internacional contra o tráfico humano, terceiro negócio ilícito mais rentável, depois das drogas e das armas. O lucro é cerca de 32 bilhões de dólares por ano. Dentre as vítimas, 79% são destinadas à prostituição, em seguida ao comércio de órgãos e à exploração do trabalho escravo em latifúndios, na pecuária, oficinas de costura e na construção civil.

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Conheça mais sobre o trafico humano: traficeo-de-pessoas-a-escravidao-de-nossa-epoca

 

2.1 Pergunta: O que você sabe sobre essa realidade e se conhece a história de alguém que já foi vítima do tráfico humano. Antes de continuar a aula, faça um momento de silêncio, pedindo a Deus que lhe mostre como agir diante dessa realidade.

 

3- Leitura do texto: Que o Espírito abra sua mente e o seu coração para que possa entender e viver a Palavra de Deus que iremos estudar hoje.  Agora pegue a sua bíblia e leia calmamente o texto da aula de hoje,  1Jo 2,12-17. Leia mais uma vez se for preciso. Lembre-se que ainda não é momento de interpretação do texto. Depois com as suas próprias palavras faça um pequeno resumo daquilo que o texto esta dizendo em si.

 

4- Situando o texto: As comunidades joaninas viviam na cidade de Éfeso, com cerca de 250 mil habitantes, dos quais 2/3 eram constituídos de escravos. A cidade possuía o principal porto e era o centro comercial mais importante da Ásia Menor, atraindo uma imensa multidão que buscava poder, riqueza e prazer. Uma metrópole com grande riqueza, luxo, glória e prazeres próprios de um grande centro urbano greco-romano. Ao lado de todo o esplendor da cidade, havia muitos males, como: ganância, exploração, corrupção, violência, imoralidade, fome e miséria. Não amar o mundo é o apelo do autor às comunidades do século I e a nós, hoje.

 

As três cartas de João foram escritos provavelmente no fim do século I ou inicio do século II, em Éfeso, na Ásia Menor. Nesta cidade, os cristãos se sentiam inseguros  até ameaçados ao viver e seguir a Jesus Cristo, Palavra da Vida.  A pri­meira carta contém críticas contra o “mundo”, ou seja, o modo de viver da cidade greco-romana, controlada pelo império romano: “Não amem o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo - os maus desejos vindos da carne e dos olhos, a arrogância provocada pelo dinheiro - são coisas que não vêm do Pai, mas do mundo” (2,15-16).

 

Os maus desejos, a arrogância provocada pelo di­nheiro, são o espírito e o modo de viver da cidade de Éfeso, que são hostis ao Pai e ao projeto de Jesus Cristo. Havia grande riqueza na cidade, aí estava localizado o principal porto e centro comercial da Ásia Menor que atraía a multidão: poder, prazer, bens...

 

Após os domínios dos persas, dos gregos e dos reis de Pérgamo, o império romano conquistou a cidade de Éfeso, e aí se estabeleceu, em 129 a.C. Como seus antecessores, os romanos exploraram a cidade de Éfeso ao máximo, em busca de bens e poder. Os habitantes da cidade se rebelaram por causa dos pesados impostos do governo romano. Em torno do ano 88 a.C., a população foi saqueada e massacrada pelo exército romanos, sob o comando do general Lúcio Cornélio Sula (138-78 a.C.), conhecido simplesmente como Sula.

 

Na época do Novo Testamento, Éfeso, que contava cerca de 250 mil habitantes, era uma das cinco principais cidades poderosas e prósperas no mundo greco-romano, ao lado de Roma, Alexandria, Antioquia e Corinto. Ela encontrava-se na principal estrada comercial e militar entre Roma e o Leste. Muitas mercadorias e grande fluxo humano alimentavam o movimento e a riqueza da cidade. A metrópole Éfeso ostentava muitos prédios e es­paços importantes, como ginásios de esporte, templos, teatros, mercados, bibliotecas e um arco do triunfo. A escavação arqueológica aponta os monumentos esplên­didos das épocas grega e romana:

 

a) O templo de Ártemis (em latim Diana): constru­ído para a deusa grega Ártemis, da caça e dos animais, que era um importante centro de pere­grinação. Era composto por mais de 100 colunas de mármore, com 20 metros de altura cada uma. O templo, que era uma das sete maravilhas do mundo antigo, atraía um grande contingente de fiéis com fonte significativa de renda.

 

b) O grande teatro: podia acomodar pelo menos 24 mil pessoas sentadas, um dos maiores teatros ro­manos. Uma avenida pavimentada com mármore conecta o teatro e o centro da cidade.

 

c) A praça do mercado (ágora em grego): era o centro comercial localizado no centro da cidade, com uma grande área quadrada contornada por colunas e calçadas. Ficava próxima ao porto com inúmeras lojas e grande movimento.

 

De fato, a cidade de Éfeso é uma das cidades mais movimentadas e prósperas do império romano, atraindo pessoas provenientes de todas as partes do Mediterrâneo. As informações históricas atestam, entre a população nativa da cidade, a presença de vários povos: egípcios, gregos, ítalos (da antiga Itália), sírios, judeus, entre ou­tros. O destaque entre eles eram os comerciantes italianos que viajavam em busca de oportunidades comerciais no império romano.

 

A diversidade da população da cidade se refletia tam­bém em suas diferentes manifestações religiosas. Além do templo de Ártemis, vários outros templos e santuários da era romana foram descobertos ali como, por exemplo, o santuário ao deus egípcio Serápis. As evidências indicam que Éfeso era uma cidade com uma grande variedade de cultos de outras religiões e contava ainda com a presença de várias escolas filosóficas e a escola de magos.

 

Prosperidade, poder e diversidade! Éfeso era uma verdadeira cidade cosmopolita: muitas mercadorias e muitas pessoas circulavam por via terrestre e marítima. Entre elas, os ricos comerciantes e fazendeiros, atraídos a essa cidade pelo fato de seu status de cidade livre, uma metrópole com grande riqueza, beleza e glória, sem falar da farra e o prazer de um típico centro urbano greco-romano.

 

Ao mesmo tempo, a cidade apresentava também os males da ganância, exploração, corrupção, violência, imoralidade, desigualdade, miséria, fome e morte no seu seio. A sociedade de Éfeso era escravagista! A riqueza era produzida a partir do trabalho escravo. Talvez cerca de dois terços da população fosse de pessoas escravizadas, vivendo à margem da sociedade! Os escravos, conside­rados como uma propriedade qualquer, sofriam muitas vezes injustiça, violência e crueldade.

 

Os estudos revelam os ambientes em que viviam os pobres da periferia da cidade: ruas estreitas e malchei­rosas e casas mal construídas. Miséria, fome e doença tomavam conta dos pobres escravizados. A vida era cruel e curta! Talvez a duração da vida de um escravo fosse um pouco mais de vinte anos. Havia uma grande incidência de suicídio.

 

A grande massa de  “imigrantes pobres e escravos” do Oriente Médio e das margens do Mediterrâneo chegou a Éfeso para ganhar a vida e sobreviver na cidade cosmo­polita. Eram pobres desenraizados! Eles sofriam com a insegurança e violência na vida da periferia. E, nela, a Boa-Nova de Jesus Cristo foi semeada e espalhada: o amor ao próximo (2,3-11).

 

Na volta de sua segunda viagem missionária (47- 51 d.C), Paulo pregou pela primeira vez em Éfeso (At 18,19-21). Depois da partida de Paulo, que ficou pouco tempo, a evangelização teve continuidade com Áquila, Priscila e Apoio (At 18,24-26). Durante a sua terceira viagem missionária (52-57a.C), Paulo voltou a evangelizar em Éfeso, agora permanecendo na cidade durante dois anos. Possivelmente, esta cidade pode ter sido um centro missionário, difundindo o cristianismo para toda a Ásia Menor. A prova disso é a presença das sete igrejas mencionadas no Apocalipse, escrito por volta do ano 100 d.C.: Éfeso, Esmima, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia (Ap 2-3). Éfeso é mencionada como a primeira comunidade da lista: o ponto de partida da carta circular.

 

Lendo o Apocalipse, nota-se que as igrejas da Ásia Menor eram perseguidas e passavam por situações de crise: “Escrevo ao Anjo da igreja de Éfeso: Sei que você não pode suportar os maus. Você pôs à prova alguns que diziam ser apóstolos, e não eram: você descobriu que eram mentirosos. Você tem perseverança; sofreu por causa do meu nome, e não desanimou” (Ap 2,1-3).

 

Desde o início da evangelização da Ásia Menor e da Europa, os missionários e as comunidades cristãs sofre­ram com a perseguição por causa do evangelho de Cristo Jesus: o amor ao próximo. Em sua estada em Éfeso, na terceira viagem, Paulo sofre perseguição: Demétrio e seus artesãos, que fabricavam nichos de prata da deusa mãe Ártemis e proporcionavam bons lucros, lideram a multidão contra Paulo, devido à diminuição da venda das miniaturas do templo (At 19,23-40). O mundo greco-romano e seus interesses econômicos baseados na busca insaciável de bens se contrapõem ao mandamento de Jesus Cristo: o amor ao próximo.  Foi assim que a comunidade da primeira carta de João foi cercada, odiada e perseguida pelo mundo das trevas ou pecado, chefiado pelo Maligno, o poder do mal.

 


5- Comentando o texto: 1Jo 2,12-17- Preservar-se do mun­do do Maligno.

Depois de apresentar o perdão dos pecados pela mediação de Jesus Cristo como primeira condição de caminhar na luz de Deus (1,5-2,2), o autor apresenta a observância dos mandamentos de Deus, como a segunda condição: “É assim que sabemos se conhecemos a Deus: se guardamos seus mandamentos. Quem diz que conhece a Deus, mas não trata de guardar os mandamentos dele, é mentiroso; nesse não está a verdade” (2,3-4).

 

Da mesma forma que em 1Jo 1,10, o termo "menti­roso” é aplicado para "quem diz que conhece a Deus, mas não guarda seus mandamentos”. É fundamental associar o conhecimento de Deus com a prática dos seus man­damentos. Para a comunidade joanina, o conhecimento não provém de uma operação puramente intelectual, mas da experiência concreta na vida humana (Jo 10,14). Por isso, na experiência concreta, o cristão deve viver a “verdade”, ou seja, fazer a vontade de Deus no dia a dia e não somente nos rituais e na sua espiritualidade indi­vidual (Jo 8,31-47).

 

Segundo a comunidade joanina, essa verdade é revelada e concretizada na vida de Jesus feito carne: “o amor de Deus se realiza plenamente em quem guarda sua palavra. É assim que reconhecemos que estamos nele: quem diz que permanece em Deus deve caminhar como Jesus caminhou” (2,5-6). Jesus Cristo, que é “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6), concretiza o mandamento do amor de Deus na realidade humana: o amor ao pró­ximo (3,10; Jo 15,12).

 

O mandamento do amor de Deus, que já se encontra no Antigo Testamento (2,7; cf. Lv 19,18), torna-se reali­dade na palavra, prática e caminhada de Jesus como a luz verdadeira: “o mandamento que agora lhes escrevo é novo, e é verdadeiro em Jesus e em vocês. Porque a escuridão está passando, e a luz verdadeira já está bri­lhando” (2,8). À medida que a mensagem do amor de Jesus é vivenciada e concretizada, as trevas do ódio, da injustiça e da morte serão eliminadas: "Quem ama seu irmão permanece na luz, e nesse não há ocasião de tro­peço. Porém quem odeia seu irmão está na escuridão e anda na escuridão” (2,10-1 la).

 

Permanecer na luz ou andar nas trevas! Com grande ênfase, desde o início da carta, o autor descreve que os cristãos estão diante da escolha: luz e trevas, verdade e mentira, amor e ódio etc. Manifestação e insistência do autor não se esgotam em repetição e informação dirigi­das aos cristãos. “Escrevo a vocês, filhinhos, porque seus pecados foram perdoados mediante o nome de Jesus. Escrevo a vocês, pais, porque vocês conhecem aquele que existe desde o princípio. Escrevo a vocês, jovens, porque vocês estão vencendo o Maligno”  (2,12-13).

 

De maneira afetuosa, o autor chama os cristãos das comunidades joaninas de “filhinhos”, e reafirma a importância do perdão dos pecados pela mediação de Jesus Cristo. Para os “pais”, cristãos há mais tempo nas comunidades, novamente reforça o reconhecimento de Jesus, o Verbo encarnado, como o ensinamento principal a ser proclamado e ensinado. A luta contra o Maligno, o espírito do mundo das trevas e do pecado, é o apelo im­portante para “jovens”, cristãos com menos caminhada. Deve-se caminhar na Luz, guardando o mandamento do amor de Deus.

 

Manifestação e insistência do autor continuam na próxima seção: "Escrevi a vocês, filhinhos, porque vocês conheceram o Pai. Escrevi a vocês, pais, porque vocês conheceram aquele que existe desde o princípio. Escrevi a vocês, jovens, porque são fortes, e a palavra de Deus permanece em vocês, e vocês estão vencendo o Maligno” (2,13). Escrevi, escrevi, escrevi para vocês... O autor re­afirma repetidas vezes que os cristãos devem conhecer, experimentar e praticar a Palavra de Deus, manifestada e concretizada na prática de Jesus, o Verbo encarnado, em oposição radical ao mundo das trevas, do Maligno.

 

Com a insistência na oposição radical entre o Verbo encarnado e o Maligno, o autor descreve a terceira con­dição de caminhar na luz de Deus: “Não amem o mun­do, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (2,15). Os cristãos devem lutar e preservar-se do mundo possuído pelo Maligno, o espírito do mal.

 

De fato, a tentação e os perigos do mundo faziam parte da realidade dos cristãos da cidade de Éfeso, sob o domínio do império romano, possuído pelo espírito do Maligno. O Império com seu exército, tributo, cons­truções monumentais e o comércio abusivo promovia a helenização: a busca exagerada de bens, poder, prazer e honra.

 

Manipulação, alienação, exploração, violência e morte estavam soltas! Miséria, fome, doença e morte tomavam conta dos pobres. O autor do livro do Apoca­lipse descreve a mesma realidade da primeira carta de João: "Eu vi aparecer um cavalo esverdeado. Quem estava montado nele tinha o nome de Morte, e a Morada dos Mortos o acompanhava. Eles receberam autoridade sobre a quarta parte da terra, para poderem matar pela espada, pela fome, pela peste e pelas feras da terra” (Ap 6,8).

 

O autor denuncia com veemência o mundo: "Pois tudo o que há no mundo - os maus desejos vindos da carne e dos olhos, a arrogância provocada pelo dinheiro - são coisas que não vêm do Pai, mas do mundo” (2,16). As atuações do Maligno no mundo: cobiça carnal, a cobiça dos olhos e a ganância pelo dinheiro etc. Para aproveitar ao máximo a vida presente com a mordomia, o agente do mundo explora e oprime os pobres e os escravizados, eliminando até mesmo as pessoas consideradas inúteis na produção de bens. "Vamos oprimir o pobre e o justo, e não poupar as viúvas ou respeitar os cabelos brancos do ancião. Nossa força seja a lei da justiça, pois o fraco é inútil, não há dúvida” (Sb 2,10-11), assim denuncia a comunidade do livro da Sabedoria, sofrida e perseguida pelo agente da helenização do Maligno.

 

O cristão, que acredita em Jesus feito carne e pratica o seu evangelho, é perseguido pelo mundo do Maligno também. Mas o mundo passa: “No entanto, o mundo e os desejos que vêm dele passam. Por outro lado, quem faz a vontade de Deus permanece para sempre” (2,17). A vida de bens, poder, prazer e honra que o mundo oferece é falsa e passageira; a vida que Deus oferece é a sua pró­pria vida: Seu Filho Jesus feito carne por amor. Por isso, quem faz a vontade de Deus e pratica o mandamento do amor ao próximo permanece na comunhão com o Deus da vida para sempre.

 

5.1 - Responda:

  1. a) O que é o Maligno/mundo para o autor da primeira carta de João?
  2. b) Por que o amor do Pai não permanece em quem ama o mundo?

 

6 -  Iluminando a vida: A consciência de nossa missão cristã deve nos levar a um compromisso profético no mundo, com as suas realidades, para transformá-las. Temos a missão de abraçar os desafios, denunciar e resistir às forças contrárias à vida. Somos chamadas e chamados a construir uma sociedade justa e fraterna.

 

a) Qual o sentido de mundo para a nossa realidade atual?

b) O que impede o surgimento de profetisas e profetas em nossos dias?

c) Que atitudes percebemos em nós e em nossas comunidades que nos afastam do projeto de Deus?

 

7 - Celebrando a vida: Faça uma oração por todas as pessoas que sofrem. Coloque no coração de Deus as várias realidades do mundo em que vivemos, especialmente a realidade do tráfico humano.

 

8 - Gesto concreto: Ler mais sobre a realidade do tráfico humano, conhecer a história de alguém que já enfrentou esse problema e estar atenta/o para ajudar na prevenção. É importante orientar as pessoas para que duvidem sempre de propostas de emprego fácil e lucrativo. Ter atenção redobrada em caso de propostas que incluam viagens nacionais e internacionais.

 

9 -  Bênção final: Deus Pai e Mãe, rico em misericórdia, te abençoe hoje e sempre.

 

10 -  Próxima aula: Ler 1Jo 4,1-6

 

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