Hoje começamos a aula número um sobre Gênesis capítulo 1. Serão oito encontros que servirão como introdução ao estudo de Gênesis. A proposta é aprender a ler a Bíblia de forma teológica e adulta, não apenas de maneira catequética ou simbólica, mas mergulhando profundamente nos textos, entendendo o contexto histórico e o sentido literal.
O primeiro tema é como ler e compreender os textos de Adão e Eva. Para isso, utilizamos o capítulo 1 do livro Adão e Eva para adultos. Já vimos anteriormente que existem duas formas de ler a Bíblia: o sentido literal e o espiritual. Agora acrescentamos uma terceira forma: o sentido fundamentalista.
1- O sentido literal da Bíblia é fundamental para compreender sua riqueza histórica e cultural. Ele não busca apenas uma leitura superficial, mas procura entender o contexto em que cada texto foi escrito. Perguntas como quem escreveu, quando escreveu, por que escreveu e para quem escreveu são essenciais, porque cada passagem bíblica nasceu de uma situação concreta, de um conflito ou necessidade vivida por um povo em determinado tempo.
Isso significa que os textos bíblicos não foram escritos como previsões para nós, dois mil anos depois, mas como respostas imediatas às circunstâncias da época. Por exemplo:
O sentido literal, portanto, nos ajuda a enxergar a Bíblia como uma biblioteca de experiências humanas com Deus, registradas em diferentes momentos da história. Ele revela que cada texto é fruto de uma realidade concreta, de uma comunidade específica, e que só depois, ao longo dos séculos, esses escritos foram relidos e aplicados espiritualmente à fé cristã.
Ampliando ainda mais: compreender o sentido literal é como entrar na mente e no coração dos autores bíblicos, percebendo suas angústias, esperanças e desafios. É descobrir que a Bíblia não caiu pronta do céu, mas foi construída dentro da vida real de homens e mulheres que buscavam interpretar a presença de Deus em meio às suas lutas.
Só depois de entender esse contexto histórico é que podemos dar o salto para o sentido espiritual, aplicando a mensagem à nossa vida hoje. Assim, o literal nos dá as raízes, e o espiritual nos dá os frutos
2- O sentido espiritual procura uma mensagem que se harmonize com a doutrina da Igreja. A tradição, o ensino de Cristo e dos apóstolos, e a experiência da comunidade de fé iluminam a leitura. Por exemplo, a noção de Santíssima Trindade não aparece literalmente na Bíblia, mas a Igreja encontra nos textos referências ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, que sustentam essa doutrina.
3- O sentido fundamentalista é aquele que lê a Bíblia de forma rígida, ao pé da letra, sem considerar o contexto histórico, cultural ou a tradição da Igreja. Cada palavra é tomada como absoluta e direta, como se fosse uma descrição literal dos acontecimentos. Essa forma de leitura ignora que os textos bíblicos foram escritos em diferentes épocas, por diversos autores, e muitas vezes em linguagem simbólica ou poética.
Ampliando esse entendimento:
A Igreja Católica rejeita esse método porque ele não abre espaço para o diálogo entre fé e razão. Em vez disso, a Igreja propõe duas formas legítimas de leitura:
Assim, o fundamentalismo é visto como uma leitura limitada e perigosa, pois não reconhece a riqueza simbólica da Escritura nem sua relação com a tradição viva da Igreja e com os avanços da ciência
Ao estudar Gênesis e os textos de Adão e Eva, é essencial distinguir claramente os três modos de leitura: literal, espiritual e fundamentalista. Cada um deles oferece uma perspectiva diferente sobre o texto, mas nem todos são aceitos pela Igreja.
Assim, no nosso estudo daremos prioridade ao sentido literal, porque ele permite compreender a raiz histórica dos textos e, a partir daí, construir uma leitura espiritual mais sólida e consciente. Já a catequese e a homilia trabalham principalmente com o sentido espiritual, oferecendo mensagens práticas e simbólicas para a vida cristã.
Em resumo: a teologia aprofunda, a catequese aplica, e o fundamentalismo distorce. Essa distinção é o que garante uma leitura equilibrada e fiel da Bíblia, unindo história e fé.
O autor do texto, estava preocupado com o que tinha para anunciar naquele momento. Por isso, pegava textos do Antigo Testamento e os aplicava simbolicamente a Cristo. O sentido literal é histórico, enquanto o sentido espiritual é simbólico. Além desses dois, existe uma terceira forma de leitura: o sentido fundamentalista.
O fundamentalista entende que tudo o que está escrito na Bíblia aconteceu exatamente daquela forma, sem espaço para interpretação simbólica ou espiritual. É uma leitura rígida, ao pé da letra. No entanto, a Igreja Católica rejeita esse tipo de leitura e trabalha apenas com os sentidos literal e espiritual.
Um exemplo é Gênesis 2,7: “Javé Deus modelou o homem com a argila do solo”. Esse texto pode ser lido de três maneiras. No sentido espiritual, a catequese e a homilia interpretam como um chamado à humildade: somos pó e ao pó retornaremos. Essa leitura simbólica está em plena sintonia com a fé católica e com o ensinamento de Jesus.
Assim, a Igreja ensina que devemos buscar tanto o sentido histórico quanto o espiritual, mas nunca o fundamentalista.
Jesus nos ensinou a não julgar e a ser misericordiosos. Quando lemos em Gênesis 2,7 que “Deus modelou o homem com a argila do solo”, no sentido espiritual entendemos que o ser humano é pó, que do pó viemos e ao pó retornaremos. Essa leitura nos convida à humildade e à misericórdia, aplicando o texto como mensagem para a vida cristã.
Já no sentido fundamentalista, alguns acreditam que o corpo humano foi literalmente feito de barro, como se Deus tivesse moldado um boneco e lhe dado vida. Esse modo de leitura, porém, é rejeitado pela Igreja Católica, pois não considera o caráter simbólico do texto.
O sentido literal, por sua vez, busca compreender o contexto histórico. Esse trecho foi escrito por sacerdotes de Jerusalém, por volta de 450 a.C., para instruir camponeses que viviam da terra. Adão, feito de barro, simbolizava o próprio camponês, cuja vida dependia do solo. Assim, o texto refletia a realidade daquele povo e transmitia uma mensagem dentro de sua cultura.
Portanto, temos três formas de leitura:
Na teologia, damos prioridade ao sentido literal para depois compreender o espiritual, enquanto a homilia e a catequese trabalham mais diretamente com o espiritual.
O sentido fundamentalista sempre leva a interpretações equivocadas. É esse tipo de leitura que muitas vezes alimenta fanatismos, pois toma cada palavra da Bíblia ao pé da letra sem considerar o contexto histórico ou o caráter simbólico. Por isso, a Igreja Católica rejeita esse método. Existe até um documento oficial chamado A Interpretação da Bíblia na Igreja, disponível no site do Vaticano, que apresenta os métodos de leitura aprovados pela Igreja e descarta o fundamentalista.
O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 390, explica que o relato da queda em Gênesis 3 — a história de Adão e Eva — utiliza uma linguagem feita de imagens. Homem feito de barro, mulher feita da costela, cobra que fala, árvore proibida: tudo isso são símbolos. A leitura fundamentalista, que entende esses elementos literalmente, não corresponde ao ensinamento da Igreja.
No curso de teologia, trabalhamos com dois sentidos: o literal e o espiritual. O literal busca compreender o contexto histórico, quem escreveu, quando e para quem escreveu. O espiritual procura a mensagem que ilumina a fé cristã hoje. Por exemplo, Adão feito de barro representa o camponês que vivia da terra, e a narrativa foi escrita para instruir esse público.
Assim, o estudo teológico dá prioridade ao sentido literal, para depois compreender o espiritual. A homilia e a catequese, por sua vez, trabalham mais diretamente com o espiritual, aplicando os símbolos à vida da comunidade. O objetivo é sempre evitar o fundamentalismo e buscar uma leitura que una história e fé.
Outro exemplo. A parábola do filho pródigo é muito conhecida: um pai com dois filhos, o mais novo que se perde na vida e retorna miserável, sendo acolhido com misericórdia, e o mais velho que, mesmo sempre obediente, não aceita o retorno do irmão. O detalhe é que a parábola não tem final definido, não sabemos se o filho mais velho entrou na festa ou não.
No sentido espiritual, ela é usada em homilias e catequeses para falar do amor e da misericórdia de Deus. Mas no sentido literal, precisamos olhar para o contexto em que Jesus contou essa parábola. Em Lucas 15, vemos que Jesus estava cercado por publicanos e pecadores, enquanto fariseus e escribas murmuravam contra Ele por estar comendo com essas pessoas. Assim, os três personagens da parábola correspondem a grupos reais presentes na cena:
Jesus estava no cenáculo, um terraço usado para refeições e confraternizações, com os pecadores (1). Os fariseus e escribas, na rua (2), observavam e criticavam. Dessa forma, a parábola é uma resposta direta de Jesus àquela situação: Ele mostra que é o Pai que acolhe, que os pecadores são os filhos que retornam, e que os religiosos rígidos são os irmãos mais velhos que não aceitam a misericórdia.
Esse é o sentido literal: compreender quem estava presente, por que Jesus contou a parábola e o que cada personagem representava na realidade da época.
Jesus, ao contar a parábola do filho pródigo, estava respondendo a uma cena real: Ele estava no cenáculo, acolhendo pecadores, enquanto fariseus e escribas observavam da rua e murmuravam contra Ele. Na parábola, Jesus desce simbolicamente as escadas e convida os fariseus a entrarem na festa, acolhendo os irmãos que estavam perdidos e agora retornaram.
Assim, entendemos que:
A parábola não tem fim definido porque é, na verdade, um convite aberto: os fariseus e escribas — e todos nós — somos chamados a decidir se vamos entrar na festa e acolher os irmãos que retornam ou se vamos permanecer de fora, julgando.
Jesus reforça essa mensagem com três parábolas em sequência:
Assim como os personagens da parábola são simbólicos, também os de Gênesis — Adão, Eva, a serpente, a árvore — não existiram literalmente, mas representam pessoas e situações reais da época. O trabalho da teologia é identificar quem eram esses personagens na vida real e qual mensagem o texto transmitia ao seu público original.
Esse é o sentido literal: compreender o contexto histórico e cultural, para depois aplicar o sentido espiritual à nossa fé hoje.
O início de Gênesis 1, que descreve a terra submersa em águas e envolta em tempestade, é uma linguagem simbólica. Historicamente, esse texto reflete a destruição de Jerusalém pelo rei Nabucodonosor e a invasão da Babilônia. A tempestade representa, de forma figurada, esse momento de caos e ruína.
Quando o texto fala da separação das águas, da criação da luz e da organização da terra, no sentido espiritual a Igreja interpreta como a criação do mundo. Mas, no sentido literal, trata-se da reconstrução de Jerusalém após a invasão babilônica.
No final do capítulo, quando aparecem o homem e a mulher recebendo domínio sobre a terra, eles representam Zorobabel e sua esposa. O texto foi escrito para afirmar ao povo que Deus havia entregado a liderança da reconstrução da cidade ao rei Zorobabel.
Portanto:
A Igreja Católica rejeita a leitura fundamentalista (como entender que Deus criou o mundo em seis dias de forma literal). Hoje, ela adota a visão científica da evolução, mas afirma que toda a criação é obra de Deus. Assim, os textos bíblicos são símbolos que revelam a ação divina na história.
No estudo de Gênesis 1, o texto que descreve a terra submersa em águas e envolta em tempestade é simbólico. Historicamente, ele reflete a destruição de Jerusalém pelo rei Nabucodonosor e a invasão da Babilônia. A tempestade representa esse momento de caos e ruína.
Quando o texto fala da separação das águas, da criação da luz e da organização da terra, no sentido espiritual a Igreja interpreta como a criação do mundo. Mas, no sentido literal, trata-se da reconstrução de Jerusalém após a invasão babilônica.
No final do capítulo, quando aparecem o homem e a mulher recebendo domínio sobre a terra, eles representam Zorobabel e sua esposa. O texto foi escrito para afirmar ao povo que Deus havia entregado a liderança da reconstrução da cidade ao rei Zorobabel.
Portanto:
A Igreja Católica rejeita a leitura fundamentalista, como entender que Deus criou o mundo em seis dias de forma literal. Hoje, ela adota a visão científica da evolução, mas afirma que toda a criação é obra de Deus. Assim, os textos bíblicos são símbolos que revelam a ação divina na história.
Recomendo a leitura do Primeiro capitulo do livro “Adão e Eva para adultos”. Para a próxima aula, a recomendação é ler os capítulos 1 e 2 de Gênesis, lembrando que cada texto foi escrito em meio a conflitos e situações reais da época. O objetivo da teologia é descobrir quem eram os personagens reais que os textos simbolizam e como isso ilumina nossa fé hoje.
Compartilhe no grupo:
1- O que mais chamou a sua atenção? Porque?
2-Qual é a resposta certa?
A.- Que foi escrito por sacerdotes por volta de 450 a.C. para camponeses, onde Adão simbolizava o próprio camponês que dependia do solo.
B.- Que o relato foi escrito para provar a superioridade da cidade de Jerusalém sobre a Babilônia no início dos tempos. Não era bem isso embora o contexto de Jerusalém seja citado no texto, o significado literal de Gênesis 2,7 especificamente refere-se à instrução de camponeses.
C.- Que o texto é uma previsão profética sobre o fim dos tempos e o retorno do homem ao pó.
D.- Que o texto descreve o processo biológico exato de como o primeiro ser humano foi criado por Deus.