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5.3-Terceira Aula: Felizes vós, os pobres...
5.3-Terceira Aula: Felizes vós, os pobres...

 

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1 - Acolhida: Mais uma vez estamos aqui para estudar, refletir e rezar a Palavra de Deus. Cada pessoa é uma palavra viva de Deus para nós. Na aula anterior, refletimos sobre a visita de Maria a Isabel. Duas mães que celebram a visita de Deus no meio do seu povo. Hoje, rezaremos a partir do texto das bem-aventuranças. Peçamos ao Espírito de Deus que abra nossos corações para que a Palavra de Deus produza em nós frutos de conversão. Unindo-nos em oração com todos aqueles e aquelas que compartilham deste estudo conosco, iniciamos este instante tão especial do nosso dia, dedicando-nos a estudar e conhecer sobre a Palavra Divina, através do Evangelho de Lucas, rezando. 

 

2- Oração inicial: "Senhor meu Deus, eu te agradeço pela oportunidade de mergulhar na tua Palavra e aprender mais sobre o teu Filho através do Evangelho de Lucas. Peço que o teu Espírito Santo ilumine a minha mente e o meu coração, abrindo-me para compreender as lições que tens a me ensinar. Ajuda-me a aplicar esses ensinamentos em minha vida diária, crescendo em fé, amor e obediência. Que este tempo de estudo me aproxime ainda mais de ti e me transforme para a tua glória.  Amém."

 

3- Motivando a aula de hoje: O Brasil tem feito progressos significativos na redução da pobreza, mas a desigualdade na distribuição de renda ainda é um desafio importante. De acordo com relatórios recentes do Programa das Nações Unidas, o Brasil ocupa o quarto lugar entre os países latino-americanos em termos de desigualdade de renda. Isso reflete tanto os avanços quanto as áreas que ainda precisam de atenção para alcançar uma sociedade mais equitativa.

 

Para agravar ainda mais o quadro da pobreza, temos a realidade da seca no nordeste brasileiro. “Nunca vi uma seca assim!” é uma afirmação constantemente repetida na boca de muitos sertanejos. Essa realidade obriga a muitos nordestinos saírem de sua região em busca de sobrevivência. O cenário que se vê no sertão nordestino é fome, sede e morte. Muitas pessoas têm acesso a água somente por meio dos caminhões-pipas, e, em grande parte, de péssima qualidade.

 

4- Situando o texto de Lc 6,20-26: As bem-aventuranças, que iremos estudar hoje, principalmente as quatro, proclamadas no Evangelho de Lucas, retomam a proposta do Reino de Deus, proclamado por Jesus e as quatro maldições contra os ricos. Essas maldições são advertências contra a sociedade do acúmulo e do individualismo. A sociedade greco-romana era muito desigual: entre 1 e 5% ricos, aqueles que eram considerados cidadãos e que viviam do trabalho de seus escravos; a maioria era constituída de pobres, em situação de semiliberdade e escravidão. Havia diversos mecanismos para explorar e manter os pobres em situação de escravidão, como o sistema patronal – o cliente, geralmente de condição inferior, recebia um benefício de uma pessoa rica e isso a deixava de mãos atadas –, a imposição de inúmeros tributos, o exército, que agia de maneira violenta contra qualquer ato subversivo, e a religião oficial, que afirmava que os pobres eram pobres porque não eram abençoadas pela deusa fortuna; na religião oficial dos judeus, a pobreza era vista como castigo de Deus. Nesse contexto, as bem-aventuranças anunciam a transformação de uma sociedade injusta e o projeto de inclusão social para as pessoas marginalizadas e excluídas. Para obter mais informações sobre o contexto em que originou o texto acesse: https://leituraorante.net/15a-situando-o-texto-de-lucas-620-26

 

5- Leitura do texto de Lc 6,20-26: Leia com atenção o texto indicado e logo após procure responder qual era a realidade da comunidade que recebeu o evangelho de Lucas? Como nós entendemos a primeira bem-aventurança: “Felizes vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus”? e qual a proposta de sociedade apresentada no texto sobre o qual estamos refletindo?

 

 6- Comentando o texto:   Lc 6,20-26 - O Reino de Deus é dos pobres! "Jesus desceu da montanha com os doze apóstolos, e parou num lugar plano. Havia aí uma numerosa multidão de seus discípulos com muita gente do povo de toda a Judéia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e Sidônia. 18 Foram para ouvir Jesus e serem curados de suas doenças. E aqueles que estavam atormentados por espíritos impuros, foram curados. Toda a multidão procurava tocar em Jesus, porque uma força saía dele, e curava a todos" (6.17-18). 

 

O texto acima se refere ao Sermão da Planície de Jesus, segundo Lucas 6:17-19. Diferentemente de Mateus 4:23-25, aqui Jesus não está na montanha, onde constituiu os apóstolos, mas na Judeia (não há menção à Galileia). Ele percorre até o litoral de Tiro e Sidom, território pagão, onde parece haver um principal destinatário na comunidade de Lucas, presente nas cidades da Ásia Menor e da Galácia.

 

As pessoas mencionadas no relato são descritas como doentes e atormentadas por espíritos impuros. Essa é outra característica dos destinatários de Lucas: pessoas empobrecidas e desprezadas. A pobreza e a doença são temas centrais da realidade do mundo dominado pelo Império Romano e é descrita em Apocalipse 6,8: "Vi aparecer um cavalo esverdeado. Seu montador chamava-se Morte, e o Hades o acompanhava. Foi-lhe dado poder sobre a quarta parte da terra, para exterminar pela espada, pela fome, pela peste e pelas feras da terra." Outro problema grave da época era a atribuição das causas dos males, como a doença e a pobreza, a espíritos. A presença de curandeiros e exorcistas era algo comum e muito difundido, o que aumentava a exploração no mundo do "dinheiro". 

 

Após uma contextualização do destinatário, o Sermão da Planície discute e apresenta uma série de ensinamentos sobre as práticas essenciais para os seguidores da palavra e da ação de Jesus de Nazaré:

 

  • Os pobres perseguidos em nome de Jesus são chamados a serem sujeitos e promotores da construção do Reino de Deus (6,20-23)

  • Os ricos apegados aos bens materiais e ao "dinheiro" são convidados a se converter, aceitando a solidariedade e preocupando-se com os outros (6,24-26).

  • O cristão é chamado a viver na gratuidade (6,27-35).

  • O cristão também é chamado a exercer o perdão (6,36-38).

  • Quem segue Jesus deve ter um espírito de autocrítica, tanto em relação a si mesmo quanto aos outros (6,39-45). 

  • O cristão deve ser fiel aos ensinamentos de Jesus para concluir sua jornada de fé ( 6,46-49).

 

 

Enquanto o Sermão da Momtanha de Mateus discute a verdadeira justiça, a interpretação da Lei e a disposição moral, o Sermão da Planície de Lucas toca no cerne do ensimanto de Jesus de Nazaré: a prática do amor. da misericórdia, da solidariedade e da justiça para libertar os pobres, os oprimidos e os explorados. Insiste no fato de que nao é possível libertar os pobre sem transformar as estruturas injustas da sociedade anbiciosa de liqueza e de luxo. Por isso, Lucas, diferentennente de Mateus, acrescenta às quatro bem-aventuranças dos pobres (6,20-23), quatro maldiições aos ricos (6,24-26), salientando a divisão  socioeconômica entre pobreza e riqueza. Nas primeiras bem-aventuranças, lemos: “Felizes vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus. Felizes vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados. Felizes vós, que agora chorais, porque haveis de rir” (Lc 6,20-21).

 

A palavra “pobre”, no sentido original do termo bíblico anawim, encontra-se em Amós e Sofonias: “Porque vendem o justo por prata e o indigente por um par de sandálias. Eles esmagam sobre o pó da terra a cabeça dos fracos e tornam torto o caminho dos pobres” (Am 2,6-7). Os pobres são as pessoas empobrecidas, espoliadas e injustiçadas pelos ricos desejosos de riqueza. São as vítimas da sociedade exploradora e excludente.

 

Para esses pobres, Jesus diz que eles são os destinatários das bem-aventuranças, e que deles é o Reino de Deus. Porém, esse não é o reino de César nem dos ricos ambiciosos, mas o reino inaugurado por Jesus segundo a sua proclamação, na sinagoga de Nazaré: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou pela unção para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor” (Lc 4,18-19; cf. Is 61,1-2).

 

A leitura do livro do profeta Isaías, episódio exclusivo do evangelho de Lucas, insiste no tema dos pobres e oprimidos que são libertados no Reino de Deus, onde não há mais nem fome nem choro. É uma nova sociedade de justiça, amor, reconciliação e partilha do “ano da graça” (cf. Lv 25). Por isso, a bem-aventurança dos pobres não significa a exaltação de sua condição precária e sofrida, mas porque Jesus, como o Deus dos pobres no Antigo Testamento, convive e liberta os pobres: “Sim, pois ele não desprezou, não desdenhou a pobreza do pobre, nem lhe ocultou sua face, mas ouviu-o, quando a ele gritou. Os pobres comerão e ficarão saciados, louvarão a Iahweh aqueles que o buscam” (Sl 22, 25.27).

 

A prática de Jesus era a da libertação dos pobres, e agora são os pobres que devem promover o Reino de Deus: “porque vosso é o Reino de Deus”. Eles são os sujeitos da construção da nova sociedade de justiça e solidariedade: “Procurai a Javé vós todos, os pobres da terra, que realizais a sua ordem. Procurai a justiça, procurai a solidariedade, talvez sejais protegidos no dia da ira de Javé” (Sf 2,3). Nesse contexto, surge um desafio: o seguimento de Jesus é o caminho da cruz, está na contramão da sociedade dominada pelo Império Romano e seus colaboradores: "Felizes sereis quando os homens vos odiarem, quando vos rejeitarem, insultarem e proscreverem vosso nome como infame, por causa do Filho do Homem. Alegrai-vos naquele dia e exultai, porque no céu será grande a vossa recompensa; pois do mesmo modo seus pais tratavam os profetas" (Lc 6,22-23).

 

A quarta bem-aventurança já se percebe bem no cântico do servo sofredor (Is 42,1-9; 49,1-6; 50,4-11; 52,13-53,12): o servo, no sentido do povo sofrido do exílio na Babilônia (Is 54,17), é chamado para o serviço da justiça, é perseguido, resiste até o fim e por isso é morto, mas Deus o acolhe e lhe dá a vitória. No cântico, Deus está com o servo e intervém a seu favor. É um cântico de esperança e de futuro presente.

 

A ação de Deus é agora a de Jesus. Ele está com os pobres perseguidos e lhes promete o Reino de Deus, que está em oposição ao reino organizado pelas relações humanas baseadas na injustiça, no poder e em privilégio. O Reino de Deus dado aos pobres então exige deles uma ação de comprometer-se com a construção da sociedade de relações humanas de justiça, serviço e comunhão. A ação dos pobres é para a libertação do reinado deste mundo do mesmo modo que os profetas, como Amós e Miqueias, trabalharam: “os seus pais tratavam os profetas”.

 

O anúncio da bem-aventurança, portanto, não significa simplesmente uma promessa do futuro: “os pobres vão descansar no céu”, nem: “esta terra é a terra de lágrima e de penitência para ganhar o céu”. O anúncio não se trata de uma predição abstrata, mas uma convocação urgente para a ação libertadora. E essa ação atinge e envolve os ricos, para quem Lucas dirige a advertência dos quatro “ais”:

 

Mas, ai de vós, ricos, porque já tendes a vossa consolação! Ai de vós, que agora estais saciados, porque tereis fome! Ai de vós, que agora rides, porque conhecereis o luto e as lágrimas! Ai de vós, quando todos vos bendisseram, pois do mesmo modo seus pais tratavam os falsos profetas (Lc 6,24-26).

 

Primeiramente, os quatro “ais” são as maldições aos ricos, folgazões e ambiciosos da riqueza, que na acumulação espoliam os pobres. São contra o reinado de injustiça e de exclusão para o qual os falsos profetas propagam e contribuem. O mais importante, porém, é aplicar os quatro “ais” para os pobres também. Para eles, a maldição é uma advertência contra as seduções de riqueza e luxo sem limites, que os levam a se tornarem os protagonistas do mundo da injustiça.

 

A ‘bem-aventurança’ não se trata então de uma predição abstrata ou de uma promessa salvífica, mas de um anúncio da transformação do mundo de acúmulo e injustiça, feita com a força de solidariedade e partilha dos seguidores e seguidoras de Jesus de Nazaré. É um forte alerta à consciência cristã diante da divisão socioeconômica entre pobreza e riqueza.

 

 

7- Uma palavra final sobre o texto: O evangelho de Lucas salienta a forte divisão socioeconômica entre pobres e ricos, o que fica evidente no acréscimo das quatro maldições aos ricos às bem-aventuranças dos pobres. Há nesse evangelho outros textos exclusivos, que advertem e convidam os pobres e os ricos a aderirem às bem-aventuranças: justiça, compaixão, solidariedade e partilha, características do reinado do Deus da vida. É Deus que vem ao encontro das pessoas que passam fome e padecem com tantos outros sofrimentos.

 

1 - “Seu nome é santo e sua misericórdia perdura de geração em geração, para aqueles que o temem. Agiu com a força de seu braço, dispersou os homens de coração orgulhoso. Depôs poderosos de seus tronos, e a humildes exaltou. Cumulou de bens a famintos e despediu ricos de mãos vazias” (Lc 1,49-53). No cântico de Maria (o ), a comunidade lucana anuncia o projeto salvífico de Deus: destrona os ricos apegados às suas riquezas e aos seus poderes enquanto os pobres em suas práticas de solidariedade são elevados e acolhidos por Deus. O cântico, como as bem-aventuranças (Lc 6,20-26), aponta para a subversão da ordem social.

 

2- “E as multidões o interrogaram: ‘Que devemos fazer?’. Respondia-lhes: ‘Quem tiver duas túnicas, reparta-as com aquele que não tem, e quem tiver o que comer, faça o mesmo’” (Lc 3,10). A conversão, anunciada por João Batista, significa mudança de vida: romper com o comportamento e os valores do mundo, que no acúmulo e no luxo espoliam os pobres. É um convite radical e uma advertência para os ricos contra as seduções do “dinheiro”.

 

3- “E se emprestais àqueles de quem esperais receber, que graça alcançais? Até mesmo os pecadores emprestam aos pecadores para receberem o equivalente. Muito pelo contrário, amais vossos inimigos, fazei o bem e emprestai sem esperar coisa alguma em troca. Será grande a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo, pois ele é bom para com os ingratos e com os maus” (Lc 6,34-35). Lc 6,27-38 é a continuação das quatro maldições aos ricos (Lc 6,24-26). Possivelmente, os destinatários deste trecho são os ricos, chamados a superar os valores da sociedade patronal: a doutrina e a teologia da retribuição. Eles devem amar “seus Inimigos”, nome atribuído aos pobres, famintos, mendigos no mundo greco-romano daquele tempo.

 

4- “E eu vos digo: fazei amigos com o Dinheiro da iniquidade, a fim de que, no dia em que faltar o dinheiro, estes vos recebam nas tendas eternas” (Lc 16,9-12). O termo “dinheiro” em grego se diz Mamon, deus das riquezas. O “Dinheiro” é iníquo enquanto fonte de riqueza acumulada de maneira injusta. Ou seja, acumular o dinheiro na mordomia e no luxo sem se preocupar com os necessitados. “Fazer amigos com o Dinheiro”, então, é uma prática oposta: partilhar as riquezas com os necessitados.

 

5- “Quando Jesus chegou ao lugar, levantou os olhos e disse-lhe: ‘Zaqueu, desce depressa, pois hoje devo ficar em tua casa’ [...] Zaqueu, de pé, disse ao Senhor: ‘Senhor, eis que dou a metade de meus bens aos pobres, e se defraudei a alguém, restituo-lhe o quádruplo’. Jesus lhe disse: ‘Hoje a salvação entrou nesta casa, porque ele também é um filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido’” (Lc 19,5.8-10). Zaqueu trabalha em Jericó, cidade situada no vale do Jordão, que se torna, por ter água abundante, uma parada obrigatória para os peregrinos a Jerusalém e os comerciantes para os países do sudeste. Nessa cidade, Zaqueu se enriquece por fiscalizar e cobrar impostos e, em muitas ocasiões, defraudar pagantes. Uma riqueza empregada assim é injusta. Ele se torna justo por manifestar sua conversão (receber Jesus), partilhar sua riqueza com os pobres e restituir a quem tenha defraudado. É reparar as injustiças pelas quais se enriqueceu. Na verdadeira conversão, os ricos são convidados a não acumular.

 

Com base nesses textos exclusivos do Evangelho de Lucas, percebe-se a dura realidade da divisão socioeconômica entre os pobres e os ricos do mundo greco-romano da Ásia menor e da Grécia. Os textos desafiam e convidam os ricos e os pobres para fazer uma mudança radical: usar os bens em favor da vida e restabelecer as relações de justiça social. É um apelo de conversão desafiadora para todos e todas!

 

Como a história de Zaqueu, muito rico e chefe dos cobradores de impostos (Lc 19,1-10), a conversão também atinge o conceito da “salvação”, a “vida eterna”: Jesus lhe disse: “Hoje a salvação entrou nesta casa, porque ele também é um filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido” (Lc 19,9-10). A salvação começa aqui neste mundo. O reino de Deus inaugurado pela prática de Jesus de Nazaré se enraíza na vida cotidiana: a partilha dos bens e as relações humanas, fraternas e justas das pessoas.

 

Segundo os evangelhos interpretados dentro do contexto socioeconômico, Jesus quer atingir e transformar as pessoas para que assim as estruturas injustas da sociedade possam ser transformadas. Os seus seguidores e seguidoras devem participar da vida eterna presente na prática da compaixão, solidariedade e justiça. Quem, por amor, segue Jesus Cristo, vive e participa na vida divina e eterna.

 

8. Iluminando a vida: A prática do amor, da misericórdia, da solidariedade e da justiça estão na essência da vida cristã. O evangelho de Lucas insiste que a libertação dos pobres não será possível sem a transformação das estruturas sociais injustas. De acordo com esse evangelho, a missão de Jesus está na mesma dimensão profética do Terceiro Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou pela unção para evangelizar os pobres, enviou-me para proclamar alibertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade e proclamar um ano de graça do Senhor” (Lc 4,18-19; cf. Is 61,1-2). 

 

 

 

O evangelho de Lucas foi escrito para pessoas e comunidades localizadas nas cidades, com a presença de ricos e pobres. Havia fome de pão, justiça, liberdade e fraternidade. O evangelho, portanto, insiste na misericórdia e na solidariedade com gente excluída e à margem da sociedade, apresentando Deus Pai amoroso e fraterno. Destaca ainda a necessidade da oração e da conversão permanente.

 

 

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9- Responda as perguntas abaixo, escolha uma ou duas para compartilhar no grupo com os demais colegas. 

 

1- O que significam as bem-aventuranças mencionadas nesse trecho?

 

2- Quem são os bem-aventurados em nossa sociedade e quais os grupos ou realdiades que seriam o alvo das maldições?

 

3-  Como podemos interpretar as promessas de felicidade para os pobres, famintos, aflitos e perseguidos?

 

4-  Qual é o contraste entre as bem-aventuranças e os "ais" dirigidos aos ricos, satisfeitos e populares?

 

5- O que o texto nos ensina sobre as prioridades no Reino de Deus?

 

6- Como podemos aplicar essas palavras de Jesus em nossa vida cotidiana e no mundo atual?

 

7- Por que Jesus enfatiza a inversão dos valores sociais ao falar sobre os pobres e os ricos?

 

8- Qual é o papel da confiança em Deus nas situações de pobreza ou dificuldade, como sugerido pelo texto?

 

9- Há algum paralelo entre esse trecho e as Bem-aventuranças de Mateus 5? Se sim, quais são as diferenças?

 

10- Como a mensagem desse texto desafia nosso estilo de vida e nossas atitudes?

 

11- Quais são as implicações espirituais e práticas de viver segundo o que é proposto em Lc 6,20-26?

 

10. Bênção final:  Que o Deus da vida nos torne sempre sensíveis diante da vida ameaçada e nos fortaleça na prática da justiça e da solidariedade. Ele que é o Deus da ternura e do amor incondicional derrame sobre nós as suas bênçãos. Todas/os: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 

11-  Para a próxima aula, ler Lc 10,29-37

 

 

 



[1] Da Redação, Folha de São Paulo, São Paulo, 31.07.2012, Caderno Cotidiano, p. 10.